Com 284 curvas estrada catarinense e serra é mais emocionante que a irmã gaúcha

Sobrevoando a cidade de Criciúma antes de pousar, o avião turbo-hélice permite ver, de um lado, o mar da costa catarinense; do outro, a serra do Rio do Rastro, onde a altitude alcança 1.460 metros.

A formação é a mesma, em termos geológicos, da que compõe a serra gaúcha –de Gramado, Canela e Cambará do Sul–, onde o turismo é bem desenvolvido. Ainda que não atraia tantos visitantes, a irmã catarinense reserva atrações variadas, como o frio, as rotas de aventura por cânions, a cultura dos tropeiros (que se instalaram na região no século 18), a fabricação de vinhos e as paisagens deslumbrantes.

A mais evidente delas talvez seja a estrada que serpenteia a serra entre Lauro Müller (a 40 quilômetros de Criciúma) e Bom Jardim da Serra. Ao longo de 23 quilômetros –sete de concreto armado, o restante de asfalto–, são 284 curvas, várias sinuosas, no estilo “cotovelo”.

No meio do caminho, um dos mirantes oficiais é um monumento ao tropeiro, que lembra as tradições locais.

Coladas nos postes dali, centenas de adesivos de clubes de moto e ciclismo lembram que os aventureiros sobre duas rodas são muito comuns pela região.

Qualquer que seja o veículo, é parte do passeio aproveitar os recuos que as muitas curvas proporcionam para encostar o carro e fotografar (se o tempo não estiver nublado).

À medida que se sobe a serra, a temperatura cai e as curvas se acentuam, para dar conta da formação cada vez mais íngreme. Nos dias a seguir, no topo de 1.460 metros, as sensações de frio e de certa vertigem só ficam mais recorrentes.

Quando se chega a Bom Jardim, um mirante permite contemplar, com céu aberto, o mar (da mesma forma que no turbo-hélice): a serra está, em linha reta, a 50 quilômetros de Florianópolis.

Por ali, quiosques vendem produtos típicos da região, como salames, mel, maçãs, queijos e o tradicional doce de gila (um tipo de abóbora).

Dezenas de quatis disputam a atenção das crianças e os salgadinhos que turistas, não por falta de aviso em contrário, teimam em oferecer.

Se em Criciúma, ponto de partida da viagem que a reportagem fez, o sol permitia deixar os casacos na mala, no final da tarde em Bom Jardim a temperatura já baixava aos 10ºC, prenunciando os -3ºC da madrugada.

Não é demais lembrar que, na semana passada, a região registrou os primeiros flocos de neve do país em 2016, com sensação térmica de -22°C.

Temperaturas despencam na Serra Catarinense
ROTA DOS CÂNIONS

É preciso caminhar por pouco mais de uma hora por uma trilha plana, dentro de uma fazenda –na qual se cruza com ovelhas, cavalos crioulos e bois pastando–, para chegar ao auge do passeio.

Às margens do cânion das Laranjeiras, do alto de um precipício de 1.500 metros, a sensação é, ao mesmo tempo, de imensidão (do ambiente, dos contrafortes) e pequenez (de si mesmo).

Ali os guias estimulam os turistas a se deitarem, apoiando-se na beira das rochas, em silêncio, para contemplar as quedas d’água que escorrem pelo paredão e o verde da mata que cobre a serra.
Percebe-se, então, que nem as fotos alcançam tudo o que os olhos veem.

O cânion das Laranjeiras, o mais visitado de Bom Jardim da Serra, é o mais afastado do centro –o passeio parte a 12 quilômetros da cidade.

Na fazenda Santa Cândida, quem vai cumprir a trilha a pé recebe galochas e um cajado. Há roteiros de até três dias, mas o passeio mais procurado é também o mais simples, de 2,5 quilômetros (o mais curto da região).

Emoldurado por araucárias, o caminho tem alguns pontos de lama, poucas subidas e pequenas fontes de água até a beira do cânion.

Ainda que os dias amanheçam frios, é comum, mesmo no inverno, que o sol venha com força (a neblina é mais frequente no verão). Por isso, recomenda-se levar uma mochila para guardar os casacos, água e protetor solar.

A CAVALO

Além do cânion das Laranjeiras, outros podem ser explorados pela região, como o do Funil e o da Ronda.

Este último fica a 15 minutos de caminhada do final da estrada da serra do Rio do Rastro. É o menor deles, e ainda assim está a 1.475 metros de altitude. Dali do alto se vê, ao longe, um parque eólico e a paisagem do desfiladeiro.

Para os mais aventureiros, agências como a Tribo da Serra (tribodaserraeco.com.br ) organizam trilhas a cavalo por essas formações. Galopar, afinal, é parte da cultura dos tropeiros que primeiro ocuparam a região das serras gaúcha e catarinense.

No final do passeio, muitas vezes já com o sol se pondo, os hotéis podem organizar mesas com queijos e vinhos, ou café, pães e castanhas.

Para sair das paisagens dos cânions, também é possível explorar, pelas fazendas de Bom Jardim, o circuito das águas -cascatas como a do rio Pelotas e a da Barrinha ficam mais cheias no verão.

Fica o aviso: as poucas pousadas da cidade são simples, exceção feita ao hotel-fazenda Rota dos Cânions e ao Rio do Rastro Eco Resort.

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