Relevância

Ele está construindo a Arca de Noé

Se Noé tivesse se deparado com o estado-babá moderno, o repúdio dos vizinhos ou alguns dos outros obstáculos que Johan Huibers tem enfrentado, o reino animal poderia ser diferente hoje em dia.
Huibers, 60 anos, bem-sucedido proprietário de uma grande construtora, tem passado os últimos anos construindo uma arca idêntica em tamanho à que Noé teria construído segundo o Gênesis: 300 côvados de comprimento, ou 137 metros; 30 côvados de altura, aproximadamente três andares; e 50 côvados, ou 23 metros, de largura. O côvado da Bíblia, diz Huibers, era a distância entre a ponta dos dedos e o cotovelo, ou nesse caso, mais ou menos 46 centímetros.
Ele está construindo a arca com pinheiro sueco, porque algumas versões da Bíblia descrevem a madeira com que Deus ordenou o uso a Noé como sendo ‘madeira de resina’, que Huibers diz ser o pinheiro.
“Devemos terminar a obra no meio de julho,” diz ele, conduzindo um visitante pelos cavernosos pavimentos da arca, ainda cheirando a pinheiro fresco.
“Talvez um pouco mais tarde”.
Diferente de Noé, Huibers teve de obedecer aos padrões holandeses de segurança contra incêndio. Para isso, ele instalou um abrigo que qualifica a arca de 2.970 toneladas como um edifício, em vez de um navio. Além disso, terá que pintar a arca, por dentro e por fora, com três mãos de verniz retardador de fogo. (Noé cobriu a sua arca com piche, tornando-a a prova d’água, mas dificilmente resistente a incêndios.) E então haviam os vizinhos.
“A embarcação tira a nossa vista”, reclama Gerrit Kruythoff, 65 anos, que vive com sua esposa e família há 42 anos na casa de tijolos geminada, vizinha ao estaleiro abandonado onde Huibers está trabalhando com a ajuda de dois de seus três filhos e diversos amigos.
“Nós costumávamos ter uma vista de todo o espaço até o rio”, conta Kruythoff, um funcionário aposentado da gigante química Dupont. “Você conseguia ver os navios passando”.
Ele não registrou uma queixa formal, diz, porque sua casa, como a de diversos vizinhos, de qualquer maneira será demolida logo, para dar lugar a um novo empreendimento residencial no local do antigo estaleiro, onde permanece a arca inacabada. Até lá, a arca já terá zarpado.
Na verdade, essa arca não é a primeira construída por Huibers. Seu sonho começou em 1992, logo após uma pesada tempestade ter castigado a região costeira ao norte de Amsterdã, onde reside. Sua esposa, Bianca, oficial de polícia, foi contra a ideia.
“Ela disse que não, mas até 2004 eu havia construído uma arca menor, de 69 metros de comprimento, para navegar pelos canais holandeses,” diz o construtor. A arca se tornou uma pequena sensação. Ele cobrava US$ 7 de visitantes adultos para embarcarem.
“Vieram mais de 600 mil pessoas, em mais ou menos três anos,” conta. Diz ele que ganhou algo em torno de US$ 3,5 milhões, o bastante para garantir um lucro de US$ 1,2 milhão.
Mas o motivo nunca foi o dinheiro. “É para informar às pessoas de que existe uma Bíblia”, diz o ágil Huibers, homem de senso de humor rápido. “E, quando você a abre, existe um Deus”.
“O significado é simples”, diz ele. “Muitas coisas no barco fazem você reflita. Nós instigamos a curiosidade das pessoas”.
Quando estiver terminada, a arca será um tipo de ferramenta de ensino. As paisagens contarão a história de Noé; animais vivos trarão vida ao espetáculo. (Até o momento, apenas pássaros em gaiolas, galinhas e galos vivem a bordo.) Duas salas para conferências vão comportar um total de 1.500 pessoas.
Nem todos os vizinhos de Huibers são contra o empreendimento. “Ela é linda por dentro e por fora, fora as escadas e, as portas”, empolga-se Annie van der Luytgaarden, que regularmente passeia com seu cachorro Spikey pela sombra da arca. “Eu já perguntei se posso participar da viagem inaugural”, diz van der Luytgaarden, abrindo um sorriso. “Eu lavarei a louça”.
Outros, no entanto, perguntam-se o quão navegável é a embarcação. “Não é muito náutica; é muito pesada”, comenta Bas Keyzer, 46, bebericando uma cerveja no restaurante Upside-Down Café de Linda van Kooten. “Mas com certeza se parece com a arca”.
Realmente, Huibers admite que teve que fazer certas concessões. A arca está sendo construída sobre uma base de 25 balsas de aço posicionadas juntas. Uma pesada estrutura de aço a mantém rígida e fixa. Quando inquirido sobre isso, responde: “Fazer uma arca de madeira é muito mais fácil”. Mas os padrões de segurança modernos tornam necessárias algumas mudanças.
Van Kooten, que gerencia o restaurante há oito anos, chamou os vizinhos reclamantes de “ovelhas negras”. “Eles nunca tiveram uma vista bonita”, diz ela. “Era um estaleiro”.
De certa maneira, Dordrecht, uma exótica cidade de prédios de tijolos vermelhos com uma população de mais ou menos 118 mil pessoas e localizada na junção de três rios, é o lugar ideal para uma arca. A cidade tem sido varrida por inundações em diversas ocasiões, incluindo a devastadora inundação de St. Elizabeth em 1421 e, mais recentemente, em 1995.
Agora, cidades holandesas como Dordrecht enfrentam níveis de água ainda maiores, enquanto o aquecimento global eleva o nível do mar. Em anos recentes, eles têm tomado medidas ambiciosas. Uma área vasta de campos ao leste e sul de Dordrecht – conhecida como Biesbosch, ou ‘floresta de plantas aquáticas’ – foi devolvida às águas. Agora, quando as águas dos rios em torno da cidade sobem, são os antigos campos que ficam alagados.
“Isso é chamado de ‘projeto lugar para o rio’”, diz Piet Sleeking, 60 anos, principal vereador de Dordrecht. “Em vez de construirmos mais altos os diques, estamos liberando mais lugar para os rios e canais”.
Mas se os funcionários municipais não veem a arca como um abrigo para o aumento das águas, eles enxergam salvação em outra direção. Desemprego, diz Sleeking, “ainda era um problema, é maior do que no resto dos Países Baixos”. Habitantes da cidade, diz, esquentando o assunto, “enxergam a arca como uma oportunidade, em relação à cidade”. E, complementa, “poderia haver centenas de milhares de turistas, então para a cidade isso seria ótimo”.
Da sua parte, Huibers enxerga um papel para a arca que transcende Dordrecht.
Ele enviou uma carta para o prefeito de Londres, Boris Johnson, pedindo permissão para levar a arca para a cidade durante os Jogos Olímpicos no próximo verão. Investidores do Texas também visitaram, ansiosos em levar a arca até Galveston.
Ele discute a arca até com sócios em Israel, onde sua companhia construtora é ativa. “Os israelenses estão curiosos,” diz. “Mas eles dizem que não é uma arca cristã, é na verdade uma arca judia. Eles dizem que eu a roubei”.
The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times._NYT_
Michel de Groot/The New York Times

Prazer em conhecer: Lampião Aceso entrevistou Jack De Witte


Mais um vaqueiro para nossa galeria de entrevistados. Hoje vamos traçar o perfil de um pesquisador que vem do outro lado do Atlântico. Compatriota de um outro cabra azêdo que comandava exército e também usava um chapéu quebrado.

Jack François De Witte, (o W com som de “V” visse) 69 anos, escritor Francês da província de Lagrasse, engenheiro eletrônico aposentado.

Na década de oitenta morou no Rio de Janeiro por dois anos e meio. Esta é a sua terceira visita ao nordeste.
Nos conhecemos durante o Seminário Internacional do Centenário de Maria Bonita ocorrido em Março em Paulo Afonso, BA. Aproveitei o ensejo para intimá-lo a apresentar suas impressões, tendo como local o barco “A Volante” cruzando oVelho Chico de retorno a Piranhas, AL. Um passeio que muitos de vocês já fizeram e quem não o fez… homi ! não sabe o que perde.

Olha ai uma visão “modesta” de Lagrasse.

Antes de chegar até a “terra do condor” e do capitão João de Sousa Lima “o dublê do Herculano” Monsieur Jack teve como cicerone o Coroné Severo visitando alguns dos princiais cenários da saga lampionica, pelo Cariri cearense e pelo Pajéu. Enfim foi beber na fonte e voltou pra Europa embriagado por esta bendita cachaça chamada CANGAÇO.

 Sentado o tenente João Gomes de Lira ladeado pelos cavalheiros Bosco André,Jack, José Cícero e Manoel Severo.

Como se dá sua entrada no cangaço?
Tinha 14 anos quando fui levado pelo meu pai para assistir ao filme “O Cangaceiro”de Lima Barreto, justamente no festival de Cannes onde a película brasileira foi exibida, consagrada e o resto do mundo passa a tomar conhecimento do Cangaço. Preciso ser bem cliché para dizer que é aquela mesma paixão avassaladora que contamina todos. Dali por diante passei a buscar a literatura. Recorri aos sebos da capital e a ajuda de amigos de outros países para que estes me conseguissem outros títulos.
Meus anseios de estar num evento como esse é de obter outras informações sobre a génese de como o Virgulino Ferreira chegou a ser um bandido desta magnitude. Um nômade. Um caboclo de raciocinio lógico que administrava com precisão e sangue frio a sua vida e a de tantos companheiros.
Então apresente suas crias!

“Lampião VP” sans toit , sans roi, sans loi (sem casa, sem rei, sem lei).
Lançado na França em 2005 pela Editora Mandacaru. Já traduzido para o português pelo amigo Luiz Frigoletto porém ainda não publicado. VP ? porque compara a saga do Rei do Cangaço com a do traficante carioca Márcio Amaro de Oliveira, oMarcinho VP.
E de outro autor?
“Sur les traces de Virgolino, un bandit nommé Lampião”. Traduzindo: Na trilha de Virgolino, um bandido chamado Lampião. Uma tese de doutorado de Patricia Sampaio Silva, brasileira radicada na França, em que pude aprender muito sobre a sociedade nordestina. Outra Obra que muito me agrada é Lampião, Seu tempo, e seu reinado do padre Bezerra Maciel.
Qual é o primeiro título recomendado para um calouro?
Não seria uma biografia estritamente sobre Lampião, eu indico o best sellerBandidos de Eric J. Hobsbawm.
Com quantos personagens desta história você teve contato?
Óbvio que chegamos demasiadamente tarde, mesmo se tivesse alcançado estas pessoas com as quais desejaria questionar afirmo que acredito muito pouco em testemunhos que não são feitos ao vivo (no calor do momento dias após o acontecimento), testemunhos recolhidos dezenas de anos depois são só para dar cores a narrativa. Eu acabo de passar por Nazaré do Pico, Pernambuco onde pude conhecer e conversar com o tenente João Gomes de Lira, talvez venha a ser a única personagem contemporaneo que eu tenha tido contato, mas me satisfaz a oportunidade de poder conhecer os filhos destas pessoas como Vilsinho, (neto e guardião da memória de Antonio da Piçarra). Neli filha dos cangaceiros Moreno e Durvinha. E o Ozéias irmão de Maria.

Manuseando o rifle pertencente à João Gomes de Lira.
 Ozéias Gomes irmão de “Maria Bonita”, esposa e nosso desbravador

Com quem gostaria de ter conversado?
Com Manoel Neto, com o Zé Saturnino. Mas principalmente com o escritor padreFrederico Bezerra Maciel. Conversaria com todos, mas somente pelo prazer, não para buscar uma parcela de verdade histórica. Vide o meu livro, primera pagina :“Não declare ‘encontrei a verdade’ mas de preferência ‘encontrei uma verdade’ Khalil Gibran.
Qual é o seu capitulo?
A invasão de Mossoró
Um cangaceiro (a)?
Sabino

Um volante?
Manoel Neto. Apesar de desaprovar várias de suas ações e decisões como a crueldade que tratava os coiteiros e a de arregimentar jovens para as frentes de batalha.
Um coadjuvante?
Luiz Pedro, porque serviu muito tempo a Lampião compartilhando muitas situações de agruras e alegrias. inclusive o mesmo capítulo final.
Uma personagem secundária? Queria ter bom papel, mas não passou de figurante
Maria Bonita (Ao meu ver foi útil… para o marketing do cangaço)

 No museu casa de Maria Bonita

Geralmente todo pesquisador é colecionador qual é o foco de sua coleção?
Tenho apenas livros, mas não considero coleção. Resguardar sem a finalidade de expor ou doar para um memorial para as próximas gerações objetos pessoais que fizeram parte de uma história tão sangrenta pra mim é fetichismo.
Entre as peças tem alguma relíquia?
Sim, por casualidade : comprei em Santiago/Chile um bonito punhal com as letrasV e L (Talvez teria pertencido ao próprio “Virgulino Lampeão”).
Nós que gostaríamos de ver um filme que retratasse um cangaço autêntico, fiel aos fatos, sem licença poética, erro primário enfim sem exagero da ficção lamentamos a eterna necessidade de se ter finalmente uma produção digna da saga, de preferência um épico ou uma trilogia, enquanto isto não foi possível qual a película mais lhe agradou?
“O Cangaceiro” de Lima Barreto por sua sobriedade e a sua sensibilidade. Gosto muito de “Antonio das Mortes” de Glauber Rocha. O “cinema novo” brasileiro produziu muitos Chef d’oeuvre” ou seja muitas obras primas.
Eleja a pérola mais absurda que já leu sobre Lampião?
Que conseguiu escapar vivo de Angico e também a persistencia de muitos lhe atribuírem como um bandido “d’honneur” ou seja um bandido social’ como ‘Robin Wood’. E não concebo aquela passagem em que Lampião é ferido no pé, fica diante de soldados e estes não conseguem vê-lo? Teria ficado invisível ? Paciência!
Diante de tantas polêmicas surgidas posteriormente a tragédia em Angico alguma chegou a fazer sentido, levando-o a dar atenção especial ex.: “Ezequiel não morreu e reaparece anos mais tarde”, “João Peitudo, filho de Lampião”, “O Lampião de Buritis” e “a paternidade de Ananias”?
Acompanhei essas novidades, mas hoje creio que já estão todas superadas. Sobre a possibilidade da paternidade: Acho bem provável que ele tenha tido outros filhos, porque deve ter seduzido várias mulheres durante suas andanças, mas estes filhos nunca apareceram ou pelo menos nada foi autenticado. Sem uma prova cabal como exame de DNA eu não acredito na possibilidade.
E Lampião: Morreu baleado ou envenenado?
Acredito que “as duas coisas”, nesta ordem, ali em Angico que acabamos de visitar.

 Iniciando a leitura de mais um livro.

Não precisa detalhar, mas em que assunto ou personagem está trabalhando ou qual gostaria de estudar para a publicação desta pesquisa. Enfim qual a próxima novidade que teremos em nossas estantes?
Lampeão no Raso da Catarina. Como ele chegou até este local e o eternizou como seu principal esconderijo e como estabeleceu contato com os índios.

Contato: Jack De Witte / 21, Rue du Consulat / 11220 Lagrasse France / Tel/Fax : (0033) (0) 4 68 43 37 31 / e.mail : jack;dewitte@free.f

*Com exceção das duas primeiras as demais imagens são de Manoel Severo.
* *Um fetiche (do francês fétiche, que por sua vez é um empréstimo do português feitiço cuja origem é o latim facticius “artificial, fictício”) é um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente este conceito foi usado pelos portugueses para referir-se aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da África ocidental. O termo tornou-se conhecido na Europa através do erudito francês Charles de Brosses em 1757. Fonte Wikipédia,.

Lampião Aceso

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